sábado, 23 de outubro de 2010

Alfabetização e Letramento


A alfabetização é o processo de contínua descoberta, reconhecimento, relacionamento , interpretação e interiorização da língua escrita.
A criança deve atuar como sujeito do processo de aquisição da língua escrita, por isso tenho ela como um ser ativo na aprendizagem da leitura/escrita, mediante interação com o meio, com o outro e consigo mesma.
Procuro gerar ações, vivenciar com as crianças temas interessantes, estimulando-as com atividades prazeroras de leitura/escrita, utilizando muitas vezes a literatura infantil em projetos interdisciplinares, tentando assim, buscar o sentido daquilo que se lê e escreve, interagindo com o objeto de conhecimento que é a linguagem (oral, escrita, plástica, etc.) trocando conhecimentos e estabelecendo relações com as outras áreas de aprendizagem (interdisciplinariedade).

Destaco, partes do texto LETRAMENTO E ALFABETIZAÇÃO, estudado na interdisciplina Fundamentos da Alfabetização – Eixo II - Profª Annamaria Rangel e Profª Jaqueline Picetti:

"Um sujeito letrado é aquele que se envolve em práticas sociais de leitura e escrita.
Uma criança, que mesmo ainda não dominando a técnica da leitura e da escrita, folheia livros, jornais, revistas... finge lê-los, brinca de escrever, escuta histórias lidas por outro, está rodeada de material escrito e percebe seu uso e função, pode ser considerada letrada, pois já entrou no mundo do letramento. Embora, seja considerada analfabeta, pois ainda não aprendeu a ler e escrever.
Uma pessoa letrada é aquela que, além de aprender a ler e a escrever, faz uso dessa aprendizagem, envolves=se em práticas sociais de leitura e escrita. Acredita-se que, essa pessoa, ao tornar-se letrada, muda seu lugar social, seu modo de viver na sociedade, sua inserção na cultura, sua forma de relacionar-se com as outras pessoas, com o contexto etc. Esse processo de letramento pode trazer ao sujeito conseqüências lingüísticas, conforme já mostraram algumas pesquisas: uma pessoa letrada fala de forma diferente de uma iletrada ou analfabeta; depois de concluído o processo de letramento, há adultos que passam a falar de maneira diferente, demonstrando que o convívio com a língua escrita pode ter como conseqüências mudanças na língua oral, nas estruturas lingüísticas e no vocabulário.

“... aprender a ler e escrever significa adquirir uma tecnologia, a de codificar em língua escrita e decodificar a língua escrita; (...) um indivíduo alfabetizado não é necessariamente um indivíduo letrado; alfabetizado é aquele indivíduo que sabe ler e escrever; já o indivíduo letrado, o indivíduo que vive em estado de letramento, é não só aquele que sabe ler e escrever, mas aquele que usa socialmente a leitura e a escrita, pratica a leitura e a escrita, responde adequadamente às demandas sociais de leitura e escrita.” (p. 39 e 40)

Pode-se assim afirmar que, letramento é a condição de quem interage com diferentes portadores, gêneros, funções e tipos de leitura e escrita na vida.
A preocupação, nos dias de hoje, não deve centrar-se apenas em ensinar a ler e a escrever, mas também, e sobretudo, levar as pessoas a utilizarem a leitura e a escrita, envolvendo-se em práticas sociais dessas."

TEXTO: Síntese dos dois primeiros capítulos (O que é Letramento? E O que é Letramento e Alfabetização) do livro: SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros. Autêntica: Belo Horizonte, 2001. Material elaborado pela Profa. Doutoranda Jaqueline Picetti e pela Profa. Dra. Annamaria Rangel.


Penso que somente pensando, agindo, formulando hipóteses, refletindo e construindo o próprio saber é que a criança irá ler e escrever o mundo.

sábado, 16 de outubro de 2010

A Alegria de Ensinar


Ensinar é um exercício de imortalidade.
De alguma forma
continuamos a viver
naqueles cujos olhos
aprenderam a ver o mundo
pela magia da nossa palavra.
O professor, assim, não morre
jamais...
Rubem Alves

Bibliografia
ALVES, Rubem. A Alegria de Ensinar. ARS Poética Editora LTDA, 1994, p.4.

Múltiplas Linguagens

Usar bem a língua não necessariamente significa falar e escrever sempre de modo correto, mas adequar à circunstância. Os indivíduos devem dispor da língua de acordo com a situação comunicativa que estão inseridos e os objetivos que pretendem alcançar.
Falar ou escrever bem não é ser capaz de adequar-se às regras da língua, mas é usar adequadamente a língua para produzir um efeito de sentido pretendido numa dada situação (Marcuschi.2001).
A escrita também não é uma modalidade fixa, não é sempre formal/sofisticada/planejada, assim como a fala não é, em todas as situações de comunicação, informal/coloquial e sem planejamento (Kleiman,1995).
Atualmente, numa sociedade letrada, não se lê e se escreve apenas, mas principalmente desenvolve-se a oralidade, a fala.
A variação existente entre linguagem oral e escrita é uma realidade cada vez mais evidente, então, faz-se a importância de dedicarmos tempo de aprendizagem, tanto para a expressão oral quanto para a escrita.Acredito, então, que a utilização da diversidade literária em projetos interdisciplinares, pode contribuir muito para que isso ocorra.
As propostas de trabalho envolvendo aspectos da fala e escrita em sala de aula podem levar o professor a mostrar aos seus alunos, e com eles interpretar e produzir, as diversas possibilidades de expressão na sua língua. Sendo assim , faz-se necessário permitir ao aluno alcançar uma melhor compreensão de como se dá a produção de textos falados e escritos, bem como de que, dependendo do gênero textual, há diferenças maiores e menores entre fala e escrita.

Obs: Texto produzido a partir da Interdisciplina Linguagem e Educação, Eixo VII, módulo I

Referências:

MARCUSCHI, Luís Antônio. Da Fala Para a Escrita: atividades de retextualização. São Paulo: Cortez,2001.
KLEIMAN, Angela. Os significados do letramento: uma nova perspectiva sobre a prática social da escrita. Campinas, SP. Mercado de Letras,1995. P. 15-61.

domingo, 10 de outubro de 2010

Atuação do Aluno e do Professor em Projetos Pedagógicos


O Papel do Aluno em Projetos

Fernando Hernández (1998, p.83) nos apresenta uma sequência de síntese da atuação dos docentes e alunos no projeto, indicando nesta, que o aluno: estabelece a possibilidade do tema, realiza a avaliação inicial: O que sabemos ou queremos saber sobre o tema?, realiza propostas de sequenciação e ordenação de conteúdos, busca fontes de informação, compartilha propostas, planeja o trabalho (individual, em pequeno grupo ou turma), realiza o tratamento da informação a partir das atividades, desenvolve trabalho individual , faz auto-avaliação, conhece o próprio processo em relação ao grupo.
Durante o desenvolvimento do projeto, as crianças são levadas a fazer escolhas, aprendem a priorizar objetivos e focalizar assuntos, sendo que, um dos resultados mais significativos dessas ações tem sido a considerável mudança de comportamento dos educandos no que se refere ao convívio com os colegas. Verifica-se, então, um aumento do clima positivo de interação, do diálogo argumentativo e da capacidade de aceitação dos posicionamentos alheios, fortalecendo a autonomia e o sentimento de grupo, unindo as crianças à identidade da escola sem perder a capacidade de julgamento, discernimento crítico e escolha democrática.

O Papel do Professor em Projetos

Hernández (1998, p. 83), na sequencia de síntese de atuação dos docentes e alunos no projeto, citada no tópico anterior, indica que o professor: estabelece os objetivos educativos e de aprendizagem, seleciona os conceitos, procedimentos que prevê possam ser tratados no projeto, pré-sequencializa os possíveis conteúdos a trabalhar em função da interpretação das respostas dos alunos, compartilha propostas, busca um consenso organizativo, preestabelece atividades, apresenta atividades, facilita meios de reflexão, recursos materiais, informação pontual, favorece, recolhe e interpreta as contribuições dos alunos, analisa o processo individual de cada aluno, conhece o próprio processo em relação ao grupo.
No trabalho com projetos interdisciplinares, pode-se dizer que o professor é um intérprete, pois capta idéias e interesses dos alunos, usando técnicas de observações e registros, o professor interpreta as manifestações das crianças. Quanto mais e melhor os professores conhecerem os seus alunos, mais facilmente poderão captar seus interesses, fontes de temas para o desenvolvimento dos projetos de pesquisa. O professor, também, pode ser considerado um pesquisador, pois a medida que o projeto avança, o professor reflete, explora, estuda, pesquisa e planeja possíveis modos de elaborar e estender o tema.
Além de intérprete e pesquisador o professor torna-se também, um divulgador, pois ele necessita muitas vezes comunicar-se com outros segmentos da escola, com os pais dos alunos, com pessoas da comunidade, com palestrantes e etc., dependendo do tema escolhido e das atividades propostas, também, o professor muitas vezes documenta o trabalho, juntamente com seus alunos, através de fotos, filmagens, blogs ou portfólios.


Bibliografia:

HERNÁNDEZ, Fernando; VENTURA, Montserrat. A Organização do currículo por projetos de trabalho. 5 ed. Porto Alegre: Artmed, 1998. Obs:Texto estudado na interdisciplina Didática, Planejamento e Avaliação- 2009/2

sábado, 2 de outubro de 2010

Pedagogia de Projetos

Nos dias atuais, cada vez mais se torna imprescindível o desenvolvimento de propostas pedagógicas que valorizem a iniciativa e a participação ativa dos educandos.

No que se refere ao desenvolvimento humano, os avanços das pesquisas científicas, tem apontado que a criança, desde o período de gestação da mãe, já se encontra vinculada e interagindo com o meio. Estas pesquisas também se direcionam para a relação existente entre aprendizagem e desenvolvimento.

Neste sentido, é interessante observar o pensamento de Vygotsky (1988), no qual o sujeito é interativo, constrói seus conhecimentos de forma inter e intrapessoal: primeiramente constrói com os outros e o meio e depois organiza e elabora individualmente. É por meio da troca com outros sujeitos e consigo mesmo que se vai internalizando conhecimentos, papéis e funções sociais, permitindo assim a constituição da consciência coletiva.

No século XX, a criança foi reconhecida pela sua capacidade de criar, por seu entusiasmo em conhecer a própria vida e pelo seu poder de sensibilidade.

Vários estudos foram sendo desenvolvidos, no decorrer deste século com o objetivo de conhecer a visão de mundo e a imaginação infantil, os sentimentos das crianças e como se dá o desenvolvimento das aprendizagens das mesmas, como por exemplo pode-se citar estudos realizados por John Dewey (1859 – 1952).

Estes estudos realizados, nos levaramm a perceber a necessidade de procedermos a uma educação socialmente qualificada e de intervenção educativa essencial, fazendo-se necessário haver oportunidades para que a criança vivencie plenamente as múltiplas linguagens, que envolvem os diversificados aspectos que integram o seu desenvolvimento.

Dewey (1978) acreditava que, mais do que uma preparação para a vida, a educação era a própria vida, para este estudioso, aprende-se participando, vivenciando sentimentos, tomando atitudes diante de fatos, escolhendo procedimentos para atingir determinados objetivos e ensina-se não só pelas respostas dadas, mas principalmente pelas experiências proporcionadas pelos problemas criados, pela ação desencadeada.

Foi então que inspirado pelas teorias e experiências de Dewey, o educador norte-americano William Kilpatrick (1871 – 1965) criou o método de projetos.

Em setembro de 1918, uma das mais importantes revistas de educação, Teachers College Recort, divulgou um artigo no qual este autor explica e denomina o "Método de Projetos". Tal proposta caracteriza-se como uma forma de integração curricular e preocupa-se com o "interesse" que deve acompanhar o trabalho pedagógico de modo a suscitar no aluno a vontade de saber. O embasamento teórico de Kilpatrick estava fundamentado nos estudos de uma "escola ativa" de John Dewey. Naquela época os conceitos científicos não eram construídos com os alunos, que deveriam memorizar os conhecimento "aprendidos". Deste modo, não proporcionavam uma melhor inserção e participação das crianças em seus ambientes de circulação.

Kilpatrick (1967) destaca três questões indispensáveis para o planejamento de projetos: "Como se realiza a aprendizagem; Como a aprendizagem intervém na vida para melhorá-la; Que tipo de vida é melhor". (KILPATRICK, 1967, apud SANTOMÉ, 1988, p.205).

Atualmente a pedagogia de projetos é discutida por diferentes autores: Santomé e Hernández na Espanha, Jolibert na França e Miguel Arroyo no Brasil, entre outros.

De acordo com Santomé (1998):

O principal ponto de partida do método de projetos deriva da seguinte filosofia: por que não fazer dentro da sala de aula o que se faz continuamente na rua, no ambiente virtual verdadeiro?[...] o método de projetos desenvolve-se com a finalidade de resolver os problemas de meninos e meninas em suas vidas cotidianas, como construir uma cabana, preparar uma festa local, construir uma pequena horta, proteger e ajudar um animal ferido, etc. (SANTOMÉ, 1998, p.204)

Hernández (1998) nos contempla com a seguinte idéia:

Não existem temas que não possam ser abordados através de projetos. Freqüentemente o sentido de novidade, de adentrar-se nas informações e problemas que normalmente não se encontram nops programas escolares, mas que o aluno conhece através dos meios de comunicação, conduz a uma busca em comum da informação, abrindo múltiplas possibilidades de aprendizagem, tanto para os alunos como para o professorado. Tudo isso não impede que os docentes também possam e devam, propor aqueles temas que considerem necessários, sempre e quando mantenham uma atitude explicativa similar à que se exige dos alunos. ( HERNÁNDES, 1998, p.68).


Miguel Arroyo (1994), defende a presença na escola de temas emergentes, de um currículo plural e aponta que:


Se temos como objetivo o desenvolvimento integral dos alunos numa realidade plural, é necessário que passemos a considerar as questões e problemas enfrentados pelos homens e mulheres de nosso tempo como objeto de conhecimento. O aprendizado e vivência das diversidades de raça, gênero, classe, a relação com o meio ambiente, a vivência equilibrada da afetividade e sexualidade, o respeito à diversidade cultural, entre outros, são temas cruciais com que, hoje todos nós nos deparamos e, como tal, não podem ser desconsiderados pela escola". (ARROYO, 1994, p.31)

OBS: Este texto foi elaborado a partir de leituras e pesquisas realizadas através da Interdisciplina Didática Planejamento e Educação - 2009/2 - Enfoque Temático 4

Bibliografia:
VYGOTSKY, Lev S. A Formação Social da Mente. São Paulo: Martins Fontes, 1988.

HERNÁNDEZ, Fernando; VENTURA, Montserrat. A Organização do currículo por projetos de trabalho. 5 ed. Porto Alegre: Artmed, 1998.

DEWEY, John . Vida e Educação. São Paulo: Melhoramentos, 1978.

SANTOMÉ, Jurjo T. Globalização e interdisciplinariedade: o currículo integrado. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.

ARROYO, Miguel. Escola Plural. Proposta Pedagógica Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte. Belo Horizonte: SMED, 1994.

KILPATRICK, 1967, apud SANTOMÉ, Jurjo T. Globalização e interdisciplinariedade: o currículo integrado. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.

domingo, 26 de setembro de 2010

Despertar


Ao me tornar professora, muito jovem, aos 16 anos, não tinha consciência do que seria realmente minha profissão, trazia uma bagagem teórica estudada no magistério, sonhos, ilusões e vontade de trabalhar.
Com o passar do tempo, com a vivência de novas experiências, analisando situações e interpretando fatos que ocorriam dentro da educação é que “despertei” para a responsabilidade e grandiosidade de minha profissão. Cada vez mais tornou-se necessário refletir nas questões que eram relativas a mim , como professora, dentro do processo educativo.
Procuro estar sempre pronta para um “novo despertar”, e descobrir cada vez mais novos métodos, técnicas e idéias inovadoras para a melhoria do ensino dos alunos.
O professor não pode ficar estático perante todos os fatos novos que acontecem em torno de sua profissão, principalmente quando também ocorrem insucessos dos alunos. Não pode só cumprir seu papel de qualquer maneira, sendo apático as situações diversas, não pode fraquejar e deve sempre tentar buscar novas soluções e algo novo.
Cabe ao professor, sempre , se auto avaliar e questionar-se sobre seu desempenho e como está desenvolvendo seu papel de educador, dentro do contexto social em que vive.
Como educadores devemos estar sempre prontos para um “novo despertar”, relacionado a coragem de enfrentar mudanças e diversas situações, procurando a melhor saída, buscando novos ideais.
Esta oportunidade de estar cursando PEAD, de ler e refletir sobre vários textos e idéias de diversos autores está sendo muito interessante, pois estou repensando assim, minha prática docente e despertando para uma nova visão e compreensão da realidade .

Como me disse a professora Marlusa da interdisciplina de matemática, através de e-mail em 25/04/2008, em um momento que eu estava bastante angustiada, insegura e confusa:

" Dúvidas permanentes e certezas provisórias são o segredo da verdadeira aprendizagem".
(MARLUSA, 2008)
Nunca esqueci estas palavras e até hoje, durante os momentos de insegurança na produção do TCC, lembro-me delas e consigo seguir adiante. Tenho fé que vou vencer todas as dificuldades, angústias e inseguranças e vou conseguir "despertar" para muitas aprendizagens novas que me trarão muita alegria e me farão melhorar como profissional e pessoa.
Agradeço a Deus e a todos que me apoiam e me acompanham nesta longa caminhada!

sábado, 18 de setembro de 2010

Diversidade Literária


Nos dias atuais, a literatura infantil tornou-se mais abrangente ao influir em todos os aspectos da vida das crianças.
Hoje encontramos de tudo um pouco em nossos livros para crianças e jovens e os autores passeiam por diversos gêneros, escrevendo suas histórias de várias formas, desde: contos, fábulas, lendas, quadrinhos, poesias, etc., para atrair o público infantil.

Fábulas
Distinguem-se dos outros textos pela "presença animal colocada em situação humana e caracterizando símbolos, dentro de um contexto universal" (COELHO, 1991, p.148).
As fábulas surgiram no Oriente e sofreram várias reinvenções, todas com algo em comum: apresentavam lições morais à sociedade. Da necessidade de denunciar indiretamente uma sociedade que apresenta comportamentos de corrupção, além da maldade presente nos seres humanos, surgiram às fábulas primeiramente para para os adultos. De acordo com Jesualdo, surgiu da "[...] necessidade natural que o homem sente de expressar seus pensamentos por meio de imagens, emblemas ou símbolos"(JESUALDO, 1978, p.144).
Ao passar do tempo, as fábulas tornaram-se uma forma de guia de bons princípios para as crianças seguirem, trazendo os animais como instrutores desses conhecimentos.
Os filmes SHEREK 1, 2 e 3, lançado recentemente, traz como alguns dos personagens principais, um ogro e um burro falante. Os dois caminham em busca da felicidade, satirizando a magia dos contos de fadas. O burro apesar de sentir-se excluído, consegue ajudar o ogro a ser feliz, pois o que realmente falta a ambos é a amizade verdadeira e sincera, sem ater-se as aparências. O filme consegue misturar as fábulas aos contos de fadas, nele o príncipe não é um moço lindo e a princesa não é deslumbrante e graciosa, pois, as fábulas não precisam ter essa preocupação, o sentido básico para esse gênero é a mensagem final, o significado que irão deixar para os ouvintes e/ou leitores.


LENDAS
As lendas trabalham especificamente com relatos do povo, que, em geral queria explicar, por fatos sobrenaturais, o que havia experimentado ou vivido. As lendas tem uma narrativa que parte de um fato histórico e o interpreta de uma forma sobrenatural, elas fornecem explicações plausíveis e aceitáveis a acontecimentos misteriosos ou sobrenaturais.
Heróis que fazem o inacreditável, monstros, seres fantásticos e fantasmas desfilam em seus textos causando temor e assombro nos leitores e/ou ouvintes. O folclore brasileiro é rico em lendas regionais destacando-se Boitatá, Boto-Cor-de-Rosa, Saci-Pererê, Curupira, Lobisomem, Mula-sem-cabeça, Iara, Vitória Régia e tantas outras. Muitos destes personagens ganharam ainda mais fama depois de terem aparecido no "Sítio do Pica Pau Amarelo", obra do escritor Monteiro Lobato.

POESIAS
Se apresentam como uma atraente e lúdica forma de contato com o texto literário. As poesias podem brincar com o aspecto sonoro das palavras (rimas, ritmo cadenciado, onomatopéias, repetição de palavras, etc.), podem brincar com o espaço da folha em branco, através de desenhos, podem utilizar imagens, formas de dizer não convencionais, podem tratar de sentimentos e vivências do cotidiano da criança, podem usar o absurdo, o humor, o inesperado, podem se inspirar em composições folclóricas, parlendas e trava-línguas.
A poesia não está só nos livros, nem é feita só de grandes poetas: a televisão, o rádio, os jornais, , as revistas e os outdoors nos exibem, também, diariamente, trocadilhos e jogos de palavras, brincadeiras sonoras e rimas. Propagandas e campanhas políticas, hinos e ditados populares, celebrações e pregões do camelô fazem, diariamente um uso poético da linguagem, conseguindo maior expressividade. A poesia está em toda a parte: nas cartas apaixonadas e nas letras de músicas. A música brasileira é especialmente rica em letras que são verdadeiros poemas, como as de Tom Jobim, Chico Buarque, Caetano Veloso e Vinícios de Moraes, por exemplo. Também na boca do repentista nordestino, no enredo da escola de samba – a poesia está viva. Na voz do rapper da cidade grande, que conta a vida da periferia, expressando suas dores e seus desejos.
A poesia estará sempre viva: comunicando afetos, desafetos, sonhos de mudança.
O canal criativo do ser humano pode ser excitado pela poesia, cabendo ao professor apresentar e possibilitar à criança este encontro com a poesia, servindo assim, como mediador.
Maria Antonieta Cunha nos remete à refletir que o entendimento da poesia não é o essencial, pois "a poesia é para ser sentida, muito mais que compreendida. Uma das principais características do fenômeno poético é exatamente a ambiguidade, a conotação"(CUNHA, 1983, p. 96).
O professor pode propiciar a vivência da poesia, pela dramatização, por movimentos rítmicos, pelos jogos fônicos, em sua riqueza de conteúdo e linguagem. Ele pode também, mostrar que a beleza da poesia é uma beleza que se encontra nas criaturas, na natureza e na vida cotidiana: tudo pode ser poesia.


Contos de Fadas
De acordo com a autora Ana Maria Machado(2002) a literatura dos contos de fadas é caracterizada como popular, uma manifestação artística por meio das palavras, uma forma de produção cultural com sentido próprio; os contos de fadas cumprem uma função fixa, possuem uma estrutura pré-determinada.
O ser humano conta histórias para tentar entender a vida, sua passagem pelo mundo, ver na existência alguma espécie de lógica. Cada texto e cada autor lidam com diferentes elementos e adequando formas e expressões aos conteúdos.
Contar histórias de bruxas malvadas, princesas presas em altas torres e cavaleiros corajosos não é apenas um passatempo lúdico, mas uma importante ferramenta no ensino para a vida.
Trabalhar com contos de fadas na escola, significa ajudar as crianças a compreenderem melhor seus problemas interiores, pois a partir dos contos são despertadas inúmeras emoções, como: desejos, angústias e medos, também significa despertar vários ensinamentos relacionados a realidade de nossos alunos , afinal os contos de fadas são ricos em experiências de vida, como por exemplo: o medo de ser abandonado, a tristeza pela morte dos pais, brigas entre irmãos, a pobreza , a busca da liberdade e a rejeição , que são temas tratados pelos contos e que ajudam as crianças a enfrentar as dificuldades do cotidiano.
Ao desenvolver trabalhos em sala de aula com contos de fadas, os alunos demonstram prazer em ouvi-los, pois ficam curiosos, empolgados, alegres e muitas vezes entristecidos e tentam através de conversas compreender e buscar soluções para alguns personagens do conto ouvido; estas histórias muitas vezes funcionam como uma válvula de escape e permitem que a criança vivencie seus problemas psicológicos de modo simbólico saindo mais feliz desta experiência.
Situando-se na linha de pensamento de Freud, o autor Bruno Bettlheim(2000) busca nos contos de fadas os temas edípicos, os processos de maturação da criança, os fantasmas da angústia e, de uma maneira geral, os conflitos do inconsciente relacionados com os problemas da infância.
Os contos de fadas são psicologicamente mais convincentes do que a narrativa realista, porque colocam a criança diante de uma situação problema cuja solução encontrará graças à sua capacidade de imaginar. Na verdade, o real de que Bettelheim fala não é aquilo que se passa diante de nossos olhos todos os dias, mas aquilo que se passa em nosso interior. Se o medo de sermos devorados torna o símbolo de uma bruxa, é fácil livrar-se dela empurrando-a para dentro de seu próprio fogão para que morra queimada.
De uma maneira geral, os monstros, as bruxas e os personagens terríveis são projeções imaginárias dos fantasmas que a criança traz consigo como, por exemplo, o medo de ser abandonada por seus pais, o medo de ser devorada, medo da rivalidade fraterna. Os contos de fadas são úteis para superar todas essas angústias, e ajudam as crianças a protegerem-se nessas histórias que acabam com final feliz e a identificarem-se com o herói.
Sozinha e sem competência narrativa, a criança seria incapaz de inventar histórias que a ajudassem a vencer seu medo. Portanto, o conto de fadas dá à criança a possibilidade de imaginar onde ela buscará as imagens necessárias para resolver seus problemas.
Bettelheim nos remete a refletir quando diz: "o desprazer original da ansiedade vira o grande prazer de uma ansiedade encarada e dominada de modo bem sucedido" (BETTELHEIM, 2000, p.216). A comprovação deste fato se dá quando a criança volta a solicitar estes contos que dão medo, mas que lhe permitem certificar-se que o bem sempre vence o mal e que o final sempre será feliz.


BIBLIOGRAFIA:

BETTELHEIM, Bruno. A Psicanálise dos contos de fadas- 14. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2000.

COELHO, Nelly Novaes. Panorama Histórico da Literatura Infanto/Juvenil. 4. ed. São Paulo: Ática, 1991.


CUNHA, Maria Antonieta Antunes. Literatura Infantil: teoria e prática. São Paulo: Ática, 1983

JESUALDO. A Literatura Infantil. Tradução de James Amado. São Paulo: Cultrix, 1978.


MACHADO, Ana Maria. Como e porque ler os clássicos universais desde cedo – Rio de Janeiro: Objetiva, 2002. Pesquisado na Interdisciplina Literatura Infanto Juvenil - Eixo 3- Bloco 5

Sites visitados, para pesquisa, em 18/09/2010, na Interdisciplina Literatura Infanto Juvenil - Eixo 3
http://pead.faced.ufrgs.br/sites/publico/eixo3/Literatura_InfantoJuvenil_Aprendizagem/bloco2/bloco7_poesias.htm
http://pead.faced.ufrgs.br/sites/publico/eixo3/Literatura_InfantoJuvenil_Aprendizagem/bloco5/bloco4_shrek.htm

Texto - Biografia Freud 1 -p.6- Interdisciplina : Desenvolvimento e Aprendizagem sob enfoque da Psicologia

http://www.chasqueweb.ufrgs.br/~luciane.real/trilha/textosintrodutorios/biografia1.htm

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

História da Literatura Infantil


A literatura infantil surgiu, na verdade por responsabilidade do próprio homem, que ao sentir necessidade de transmitir acontecimentos e idéias, buscou na contação de histórias fictícias uma maneira de repassar a herança cultural, acumulada pela humanidade, ao longo do tempo. Essas histórias eram apenas contadas, não sendo registradas por escrito.
A princípio a criança era vista como um "pequeno adulto", ou seja ela deveria ser educada conforme os objetivos traçados pelos adultos, sem se preocupar com as capacidades e vontades próprias da infância.
Nos dizem Varela e Alvarez-Uria (1992) que segundo as idéias do historiador Philippe Ariès, na Idade Média não existia uma percepção realista e sentimental da infância. As crianças não eram nem queridas nem odiadas nos termos nos quais estes sentimentos se expressam no presente, participavam juntamente com os adultos das atividades lúdicas, educacionais e produtivas e não se diferenciavam dos adultos nem pelas roupas que vestiam nem pelos trabalhos que executavam nem pelas coisas que diziam ou deixavam de dizer.
Alguns livros circulavam na idade Média e do Renascimento, sendo os catecismos criados pelos padres Jesuítas, para pregar o cristianismo às crianças e também circulavam fábulas com narrativas moralizadoras e os livros com narrativas de comportamento exemplares.
Os primeiros livros infantis surgiram no século XVII, quando lançou-se a obra do famoso francês Charles Perralt, que ao trazer histórias da tradição especialmente para as crianças da corte real, narrando-as em finos versos ou prosa burilada, e fazendo com que todas se acompanhassem de uma moral, recontou versões imortais de A Bela Adormecida, Chapeuzinho Vermelho, A Gata Borralheira, O Pequeno Polegar e O Gato de Botas entre outras, conseguindo resgatar este repertório e transformá-lo criticamente nos diversos tipos humanos da sociedade da época, acentuando nas narrativas a forma fantasiosa e mágica, própria das crianças, ao encarar situações.
No século XIX surgem os famosos Contos de Grimm, que foram reunidos pelos pesquisadores e folcloristas alemães Jacob e Wilhelm Grimm, tratando-se de narrativas de fundo popular. Os Contos de Grimm apresentavam uma grande diferença em relação à obra de Perrault: não se destinavam à leitura da corte, mas tinham como objetivo preservar um patrimônio literário tradicional do povo alemão e estar ao alcance de todo mundo. Essa intenção era evidente desde o primeiro título do Livro (Cantos para o Lar e as Crianças). Com esse objetivo, os contos eram narrados em prosa e numa linguagem bem próxima a oralidade, de um jeito parecido ao que era falado pela gente do povo, entre eles os mais conhecidos são: A Branca de Neve e os sete Anões, Os Cisnes Selvagens, Rumpeltistiskin, João e Maria e os Músicos de Bremen.
Entre 1835 e 1872, o dinamarquês Hans Christian Andersen, lançou outra grande antologia de contos de fadas. Andersen apresentou-se com uma grande diferença em relação a Perrault e aos irmãos Grimm: não se limitou a recontar as histórias tradicionais que corriam pela boca do povo, fruto de uma criação secular coletiva e anônima. Ele foi mais além e criou várias histórias novas, seguindo o modelo dos contos tradicionais, mas trazendo sua marca individual e inconfundível - uma visão poética misturada com profunda melancolia. Assim seu livro além de contos de fadas recontados, trazia também novidades como O Soldadinho de Chumbo, o Patinho Feio, A Roupa Nova do Imperador, Polegarzinha e tantas outras narrativas com animais e objetos como seres dotados de comunicação e sentimentos. Seus contos ainda fazem parte do universo infantil e contagiou a imaginação de outros autores.

Cademartori (1994) afirma que:

... a literatura infantil se configura não só como instrumento de formação conceitual, mas também de emancipação da manipulação da sociedade. Se a dependência infantil e a ausência de um padrão inato de comportamento são questões que se interpenetram, configurando a posição da criança na relação com o adulto, a literatura surge como um meio de superação da dependência e da carência por possibilitar a reformulação de conceitos e a autonomia do pensamento. (CADEMARTORI, 1994, p.23)

No Brasil em 1921, a literatura infantil teve como principal marca a obra de Monteiro Lobato, quando publicou Narizinho Arrebitado, que apresentava um apelo à imaginação, diálogos, linguagem visual, enredo, humor e a graça na expressão linguistica e representava "toda uma soma de valores temáticos e linguisticos que renovava o conceito de Literatura Infantil no Brasil" (ARROYO, 1990, p.198), e mais adiante muitas outras obras que até hoje encantam milhares de crianças, despertando o prazer e o desejo de ler.

Bibliografia:
ARROYO, L. Literatura Infantil Brasileira. São Paulo: Melhoramentos, 1990, p.198.

CADEMARTORI, L. O que é literatura infantil? 6ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1994, p.23.

MACHADO, Ana Maria. Como e porque ler os clássicos universais desde cedo – Rio de Janeiro: Objetiva, 2002, cap. 7. Estudado na Interdisciplina Literatura Infanto Juvenil-Eixo III- Bloco 5

VARELA . e ALVAREZ-URIA .A Maquinaria Escolar, publicado na Revista Teoria & Educação, editada em Porto Alegre, n.6, 1992, p.74. Estudado na Interdisciplina Escolarização, Espaço e Tempo na Perspectiva Histórica - Eixo II.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Tema abordado no TCC

Sou apaixonada por literatura infantil e acredito que ela é maravilhosa para desenvolver o hábito e o prazer da leitura nas crianças, além de também, oportunizar aprendizagens diversificadas em várias áreas do conhecimento. Utilizei a literatura infantil nos projetos interdisciplinares desenvolvidos durante o estágio como uma forte aliada.
Sendo assim, montei alguns tópicos para serem abordados em meu TCC:

Título: " A Literatura infantil como aliada ao desenvolvimento da pedagogia de projetos interdisciplinares".



1)HISTÓRIA DA LITERATURA INFANTIL
ORIGENS
FUNÇÕES DA LITERATURA ATRAVÉS DOS TEMPOS

2)A LITERATURA INFANTIL E A ESCOLA
A POESIA NA ESCOLA
AS NARRATIVAS DE TRADIÇÃO
LITERATURA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA
A LITERATURA E AS NOVAS TECNOLOGIAS

3)PEDAGOGIA DE PROJETOS INTERDISCIPLINARES
O QUE SÃO PROJETOS INTERDISCIPLINARES
COMO SE PROCESSA O TRABALHO COM PROJETOS
O PAPEL DO ALUNO EM PROJETOS INTERDISCIPLINARES
O PAPEL DO PROFESSOR EM PROJETOS INTERDISCIPLINARES

4)A UTILIZAÇÃO DA LITERATURA EM PROJETOS INTERDISCIPLINARES

5)EXPERIÊNCIAS VIVENCIADAS COM UTILIZAÇÃO DA LITERATURA INFANTIL EM PROJETOS INTERDISCIPLINARES NO 2º ANO

sábado, 28 de agosto de 2010

Eixo IX - Semestre 2010/2

Estamos iniciando mais um semestre e este será muito especial, pois além de ser o último ele será culminado com o Trabalho de Conclusão do Curso.
Escolher o tema para o TCC não será fácil, pois surgem muitas dúvidas e um turbilhão de idéias ficam "borbulhando" em nosso pensamento.
Acredito que o tema a escolher deverá ser condizente com nossas preferências pessoais, para tornar-se prazeroso e proporcionar satisfação e auto-realização.
Muitas pesquisas, leituras e mais leituras, investigações em livros e artigos e estudos na internet serão intermináveis para que o trabalho seja desenvolvido.
Teremos que ser incansáveis, vencer obstáculos e seguir em frente!!! Não desanimar jamais!!!