quarta-feira, 30 de junho de 2010

REFLETINDO SOBRE AS ATIVIDADES

Os tópicos e assuntos explorados e investigados pelas diferentes atividades propostas nos projetos foram integrados com as experiências de vida das crianças, fora da escola. Qualquer projeto se desenvolve e cresce através de um processo de socialização por meio da participação e da experiência. A turma é considerada um grande grupo, formado pelos alunos que trazem consigo uma história de vida, modo de viver e experiências culturais diferenciadas, que devem ser valorizadas. Essa valorização se dá a partir do momento em que os educandos tem a oportunidade de decidir, opinar, debater, construir sua autonomia e seu comprometimento com o social. Destaco o mestre Paulo Freire que nos diz: "Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção."(1997, p.52).
Os projetos desenvolvidos durante o semestre, visando proporcionar autonomia aos educandos, fizeram com que as crianças aprendessem a reforçar sentimentos positivos em relação a si mesmos e aos outros, estabelecendo objetivos dentro da realidade, lidando com o insucesso e o sucesso como fatores decisivos tanto no desenvolvimento quanto na aprendizagem. Os alunos identificaram-se como sujeitos que usufruem e produzem cultura, em pleno exercício de sua cidadania.
Bibliografia:
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: Saberes necessários à prática educativa- 6ª ed. -São Paulo: Paz e Terra, 1997.

domingo, 20 de junho de 2010

Trabalhando a Copa 2010











A partir do dia 07/06 iniciei o Projeto: Em Ritmo de Copa
Este projeto está sendo bastante produtivo e ao mesmo tempo divertido e gerador de muitas interações pessoais. Ao participar de atividades esportivas as crianças estabeleceram relações equilibradas e construtivas com os outros, reconhecendo e respeitando características físicas e de desempenho de sí próprio e dos outros, sem discriminar por características pessoais, físicas , sexuais ou sociais, também adotaram atitudes de respeito mútuo, dignidade e solidariedade em situações lúdicas, evitando qualquer espécie de violência.
Ao realizar atividades interdisciplinares envolvendo o tema Copa do Mundo (2010) os alunos conseguiram conhecer, valorizar, respeitar e desfrutar da pluralidade de manifestações de cultura brasileira, africana , percebendo-as como recurso valioso para a integração entre pessoas e entre diferentes grupos sociais e etnias.
Um dos pontos mais importantes desenvolvidos no projeto "Em Ritmo de Copa" foi a promoção do torneio de futsal, amistoso, entre turmas do 2º ano e 4º e 5º ano no ginásio de esportes Santa Fé, localizado em bairro perto da escola. Durante o torneio os alunos tiveram contatos com alunos de outras turmas, divertiram-se fazendo torcida e participando dos jogos. A turma 21 (2º ano do turno manhã) utilizou faixas na cabeça de cor verde e a turma 23 (2º ano do turno da tarde) de cor amarela. Realizou-se jogos com times masculinos e femininos. Alguns alunos participaram dos jogos e depois colocaram que nunca imaginavam que era tão bom jogar futebol, que não gostavam muito, mas com a participação no torneio começaram a se interessar por futebol.
Como foi um torneio amistoso, não houve uma competitividade muito grande, os jogos aconteceram realmente em carater recreativo, de treino ou nova experiência para alguns alunos.
Como nos diz o PCN (vol.7, pág.49 e 50)

"Uma prática pode ser vivida ou classificada em função do contexto em que ocorre e das intenções de seus praticantes. Por, exemplo o futebol pode ser praticado como um esporte, de forma competitiva, considerando as regras oficiais que são estabelecidas internacionalmente (que incluiem as dimensões do campo, o número de participantes, o diâmetro e pesoa da bola, entre outros aspectos), com platéias, técnicos e árbitros. Pode ser considerado um jogo, quando ocorre na praia, ao final da tarde, com times compostos na hora, sem árbitro nem torcida, com fins puramente recreativos(...). Os esportes são sempre notícias nos meios de comunicação e dentro da escola; portanto podem fazer parte do conteúdo(...)".
Bibliografia:
PCN- Parâmetros Curriculares Nacionais :Educação Física,Vol.7/Secretaria de Educação fundamental-Brasília:MEC/SEF,1997.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Questões para Reflexão


Será que estamos preparados para ensinar os nossos alunos em educação ambiental?
Que ações dentro da sala de aula revelam esse "olhar" para a educação ambiental?

No meu ponto de vista devemos sensibilizar as crianças em relação aos problemas ambientais, mostrando que o futuro está em suas mãos, no ar que respiramos, na água que bebemos, onde e como vivemos. Tudo serve para indicar que o processos de degradação e deteriorização da natureza não podem ser tratados com indiferença, nem pela sociedade, nem pela escola. Não adianta cobrar do governo e dos outros, atitudes que ainda pessoalmente não conseguimos ter.
Nós professores, precisamos buscar recursos, nos atualizar e estar sempre preparados para enfrentar situações cotidianas que estão relacionadas a Educação Ambiental. Ela deve ter como base um processo contínuo e permanente na educação que foca situações atuais e do dia a dia dos alunos.
"É importante que o professor trabalhe com o objetivo de desenvolver, nos alunos, uma postura crítica diante da realidade, de informações e valores veiculados pela mídia e daqueles trazidos de casa. Para tanto o professor precisa conhecer o assunto e , em geral, buscar junto de seus alunos mais informações em publicações ou com especialistas. Tal atitude representará maturidade de sua parte: temas da atualidade, em contínuo desenvolvimento, exigem uma permanente atualização; e fazê-lo junto com os alunos representa excelente ocasião de, simultaneamente e pela prática, desenvolver procedimentos elementares de pesquisa e de sistematização da informação, medidas, considerações quantitativas, apresentação e discussão de resultados,etc." (PCN, vol.9, p.30)
Dentro da sala de aula e abrangendo a escola, pode-se trabalhar ações de Educação Ambiental, baseadas nos cuidados práticos diários, como por exemplo:
-Conservação da sala limpa, arejada e organizada;
-Incentivar a utilização correta do papel evitando desperdício;
-Enfatizar que o papel destinado à reciclagem não deve ser amassado, porque isso dificulta o manuseio e a reutilização;
-Desligar as luzes ou ventiladores da sala enquanto não tiver ninguém dentro dela, como por exemplo na hora do recreio, educação física ou qualquer outra atividade fora da sala;
-Incentivar o uso adequado das lixeiras e em hipótese alguma aceitar que os alunos coloquem lixo no chão;
-Se na escola existirem lixeiras seletivas para o lixo, orientar os alunos na utilização adequada das mesmas;
- Explicar aos alunos que o vaso sanitário não é lugar para jogar, papéis, alimentos, chicletes, etc. - Ao beber água não não deixar água correndo em desperdício, encher o copo somente com a quantidade necessária para matar sua sede;
- Na hora do lanche não desperdiçar alimentos, guardar o que não vai comer ou dividir com os colegas;
-Não desperdiçar a merenda escolar oferecida pela escola;
-Armazenar garrafinhas, copinhos, e caixinhas que sobram do lanche dos alunos para posteriormente realizar trabalhos artesanais que envolvam a reciclagem destes produtos;
- Recomendar aos alunos que não escrevam em classes, cadeiras e paredes;
-Incentivar os alunos a cuidarem das plantas da escola;
Desde pequeninos os alunos devem sentir que estão sujeitos a regras de respeito às condições básicas da vida e que a boa qualidade dos espaços por eles utilizados dependem das suas próprias atitudes de conservação, respeitando as condições de sustentabilidade e de máxima renovabilidade possível dos recursos.
"O convívio escolar será um fator determinante para a aprendizagem de valores e atitudes. Considerando a escola como um dos ambientes mais imediatos dos alunos, a compreensão das questões ambientais e as atitudes em relação a elas se darão a partir do próprio cotidiano da vida escolar do aluno". (PCN, vol.9, p.50)
Bibliografia:
PCN, Parâmetros Curriculares Nacionais: meio ambiente, saúde, vol.9.Secretaria da Educação Fundamental-Brasília,1997.

domingo, 6 de junho de 2010

Trabalhando Meio Ambiente

Nos dias 31/05, 01 e 02/06 foram abordados com a turma, temas relacionados ao meio ambiente onde a principal meta a atingir foi fazer cada aluno perceber-se integrante, dependente e agente transformador do ambiente.

Através de passeio no bairro, possibilitei aos alunos a aplicação dos conhecimentos à realidade local, para que cada aluno se sentisse potente, com uma contribuição a dar, por pequena que seja, para que possa exercer sua cidadania.

"É fato que o trabalho com a realidade mais próxima possui a qualidade de oferecer um universo acessível e conhecido e, por isso, possível de ser campo de aplicação do conhecimento. Dessa forma ele se torna essencial para o exercício da participação".(PCN, vol:9,p.78)

"Cabe ao professor orientar os alunos sobre o que e onde observar, de modo que se coletem dados importantes para as comparações que se pretende, pois a habilidade de observar implica um olhar atento para algo que se tem a intenção de ver".(PCN, vol:4,p.66)

"As observações realizadas resultam em um conjunto de dados que são organizados por meio de desenhos e listas, de modo que as características do ambiente fiquem registradas. Ao realizar registros os alunos tem a oportunidade de sistematizar os conhecimentos que adquiriram".(PCN,Vol:4,p.66)

O nosso passeio na comunidade que teve o objetivo de observar degradações ambientais, teve desfecho final através de um relatório, onde os alunos puderam relatar o repertório de imagens que adquiriram e alguns novos significados para a idéia de ambiente.Os alunos desenvolveram habilidade de descrever ambientes, identificando, comparando e classificando seus diferentes componentes. Os alunos perceberam como é grande a influência das pessoas num ambiente construído e como podem apresentar condições ambientais de vida humana bastante variadas.

A partir da compreensão da natureza como um todo dinâmico, sendo o ser humano parte integrante e agente de transformações do mundo em que vive, a turma realizou ações como: criar na escola um cantinho da natureza, onde cada um contribuiu com uma plantinha em vaso feito de garrafa pet (aproveitando para reciclagem) e realização de campanha em outras turmas através de música "Tempo de Mudar" (Maísa e Eliana), diálogo e distribuição de panfletos com mensagens de proteção ao ambiente.

sábado, 29 de maio de 2010

Contos de Fadas









É tendo contato com qualquer forma de literatura que os homens têm a oportunidade de ampliar , transformar ou enriquecer sua própria experiência de vida. Então, já nos primeiros anos de vida é aconselhavel que a criança tenha contato com histórias inventadas ou extraídas da tradição familiar.

De acordo com a escritora Fanny Abramovich, "quando as crianças ouvem histórias, passam a visualizar de forma mais clara sentimentos que têm em relação ao mundo. As histórias trabalham problemas existenciais típicos da infância, como medos, sentimentos de inveja e carinho, curiosidade, dor, perda, além de ensinarem infinitos assuntos". Além disso é por meio de uma história que a criança pode descobrir outros lugares, etnias, tempos e etc. Dessa forma quanto mais cedo as crianças tiverem contato com os livros mais cedo irão perceber o prazer que a leitura produz, sendo maior a probabilidade de ela se tornar um adulto leitor, e ser leitor é ter um caminho absolutamente infinito de descoberta e de compreensão do mundo, o que acredito ser o principal objetivo da contação de histórias.

Os contos de fadas são histórias muito interessantes porque as crianças se identificam com elas, e passam a querer ouví-las incontáveis vezes, por sentir que naquele personagem há algo semelhante ao que vive ou sente no momento.

Cito agora, alguns trechos esclarecedores da Obra "Como e por que ler Clássicos Universais desde cedo" de Ana Maria Machado, p.15:

"Clássico não é livro antigo e fora de moda. É livro eterno que não sai de moda".

"O primeiro contato com um clássico, na infância e na adolescência, não precisa ser original. O ideal mesmo é uma adaptação bem-feita e atraente".

Na pág. 19-20:

"Muita gente fala em prazer da leitura, mas às vezes essa noção fica um pouco confusa. Claro existe um elemento divertido, de entretenimento, em acompanhar uma história engraçada, emocionante ou cheia de peripécias. É uma das alegrias que o livro pode proporcionar, mas essa é apenas a satisfação mais simples, evidente e superficial. Há muito mais do que isso. Muito mesmo , como sabe qualquer leitor.(...) a leitura dos bons livros de leitura traz também ao leitor o outro lado dessa moeda: o contentamento de descobrir em um personagem alguns elementos em que ele se reconhece plenamente. Lendo uma história, de repente descobrimos nela umas pessoas que, de alguma forma, são tão idênticas a nós mesmos, que parecem uma espécie de espelho. Como estão, porém em outro contexto são fictícias, nos permitem um certo distanciamento e acabam nos ajudando a entender melhor o sentido de nossas próprias experiências. Essa dupla capacidade de nos carregar para outros mundos e , paralelamente, nos propiciar uma intensa vivência enriquecedora é um dos grandes prazeres de uma boa leitura".
Nesta semana, de 24 a 28/05 eu e minha turma trabalhamos com os Contos de Fadas. Foi um tema bastante rico, pois proporcionou aos alunos muita imaginação, curiosidade, reflexão sobre a realidade, busca pelo conhecimento, desenvolvimento da linguagem, além de trabalhar as emoções, a atenção e a observação.
As histórias escolhidas pelos alunos foram Pinóquio, Chapeuzinho Vermelho, Patinho Feio, Os Três Porquinhos e Branca de Neve.
Realizamos atividades bastante diversificadas envolvendo as mesmas, como: teatro de fantoches, dobraduras, escrita das histórias, criação de histórias diferentes embasadas nas originais, estudo de diferentes moradias e de animais ovíparos e vivíparos, construção de adições e multiplicações, bricadeiras musicais e outras.
Certamente, com os trabalhos desenvolvidos a partir dos Contos de Fadas, pude colaborar na condução do gosto pela leitura, que levará os alunos ao conhecimento de novos horizontes fantásticos.


Bibliografia:

ABRAMOVICH, Fanny.Literatura infantil: gostosuras e bobices. São Paulo: Scipione ,1989,

MACHADO, Ana Maria. Como e porque ler os clássico universais desde cedo. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2002.

sábado, 22 de maio de 2010

Tecnologia na Educação







A chegada das Tecnologias de Informação e comunicação na escola evidencia desafios e problemas relacionados aos espaços e aos tempos que o uso das tecnologias novas e convencionais provoca nas práticas que ocorrem no cotidiano da escola. Para entendê-los e superá-los é fundamental reconhecer as potencialidades das tecnologias disponíveis e a realidade em que a escola se encontra inserida, identificando as características do trabalho pedagógico que nela se realizam, de seu corpo docente, de sua comunidade interna e externa.
Esse reconhecimento favorece a incorporação de diferentes tecnologias (Computador, Internet, TV, vídeo...) existentes na escola à prática pedagógica e outras atividades escolares nas situações em que possam trazer contribuições significativas.As tecnologias são utilizadas de acordo com os propósitos educacionais e as estratégias mais adequadas para propiciar ao aluno a aprendizagem, não se tratando da informatização do ensino que reduz as tecnologias a meros instrumentos para instruir o aluno.
No processo de incorporação das tecnologias na escola, aprende-se a lidar com a diversidade, a abrangência e a rapidez de acesso às informações, bem com as novas possibilidades de comunicação e interação, o que propicia novas formas de aprender, ensinar e produzir conhecimento, que se sabe incompleto, provisório e complexo.
Se a escola não inclui a tecnologia na educação das novas gerações,ela está na contramão da história, alheia ao espírito do tempo. Quando o professor convida o aluno a visitar um site, ele não apenas lança mão da nova mídia para potencializar a aprendizagem de um conteúdo curricular, mas contribui pedagógicamente para a inclusão deste aluno no mundo tecnológico.
A contribuição da educação para a inclusão do aluno, no mundo tecnológico, exige um aprendizado prévio por parte do professor.
Perrenoud (2000), diz que "as tecnologias da informação e da comunicação são instrumentos que podem ser criadoras e recriadoras da realidade na escola, por este motivo é que devem ser utilizadas de forma responsável no sentido de se obter resultados satisfatórios, ajudando ao professor a cumprir sua função social na escola, tendo o máximo de cuidados para não obter resultados contraditórios".

No dia 21/05, o Diretor da escola em que trabalho, instalou na sala de telecine da escola , um Noot Book interligado na TV digital de 42 polegadas. A partir desta ação pude trabalhar com os alunos, no computador, jogos de alfabetização, como: jogo dos pares (palavras/figuras), quebra-cabeça (palavras/figuras) jogo de memória (palavra/figura, figura/primeira letra). Um aluno de cada vez realizava uma jogada no computador enquanto todos os outros podiam acompanhar as jogadas visualizando pela TV. Os alunos auxiliavam os colegas, davam opiniões e realizavam comentários. Por enquanto nossa escola está sem LABIN (está previsto para ser montado em julho, com 30 computadores), por tanto no momento, precisamos realizar trabalhos que envolvem as tecnologias com o que temos, mesmo sendo um material precário.
A atividade dos jogos no computador foi bastante rica e proveitosa, todos os alunos de minha turma puderam participar e acompanhar pela TV todos os movimentos dos jogos. Além de desenvolverem o manuseio do computador, os alunos desenvolveram também a leitura e a escrita de palavras.

Bibliografia:
Integração das Tecnologias na Educação-Salto para o Futuro-Secretaria de Educação à Distância.Brasília:Ministério da Educação,Seed,2005.204p.;il
PERRENOUD, Phillippe. Dez Competências para Ensinar. Porto Alegre: Artmed.2000.

sábado, 15 de maio de 2010

Brinquedos e Brincadeiras




Trabalhei com o projeto "BRINQUEDOS E BRINCADEIRAS" na semana de 10/05 a 14/05,com minha turma de 2º ano. Este projeto teve por finalidade proporcionar aos alunos um ambiente lúdico, facilitando a integração entre eles e modificando o quadro de agressividade tão comum hoje em dia. Descobrindo outras formas de expressar-se, o aluno vai se sentindo mais feliz e percebendo os outros como companheiros para desenvolver brincadeiras e jogos, gerando assim, diversos momentos de sociabilidade.
Para a criança é importante que seu corpo e sua mente estejam em movimento, impulsionados pelo prazer da ação que realiza em uma constante situação de entusiasmo, diálogo e comunicação.
Distanciando-se dos problemas do dia-a-dia e absorvidos pela brincadeira, os alunos, vão pouco a pouco reestruturando sua afetividade, comportamento e compreensão da realidade. As brincadeiras proporcionam momentos de liberdade...
No mundo infantil, quem brinca, brinca pra valer, e brincando reencontra a alegria, e, nessa liberdade em poder brincar os alunos vão sendo educados e vão adquirindo novas aprendizagens.
Ao desenvolver o projeto percebi claramente que durante o brincar , ocorreu entre os alunos um processo de troca, partilha, confronto e negociação, gerando momentos de equilíbrio e desequilíbrio, e propiciando novas conquistas individuais e coletivas. Pude constatar que a ação de brincar é fonte de prazer e , ao mesmo tempo fonte de conhecimento.

Na obra "A CRIANÇA E SEU MUNDO", Winnicott faz colocações fundamentais sobre a brincadeira. Dentre elas podemos citar:

"As crianças têm prazer em todas as experiências de brincadeira física e emocional(...)

(...)Deve-se aceitar a presença da agressividade, na brincadeira da criança(...)

A angústia é sempre um fator na brincadeira infantil e frequentemente, um fator dominante.

(...) A brincadeira é a prova evidente e constante da capacidade criadora, que quer dizer vivência.

(...) As brincadeiras servem de elo entre, por um lado, a relação do indivíduo com a realidade interior, e por outro lado, a relação do indivíduo com a realidade externa compartilhada.

Os adultos contribuem, neste ponto, pelo reconhecimento do grande lugar que cabe à brincadeira e pelo ensino de brincadeiras tradicionais, mas sem obstruir nem adulterar a iniciativa própria da criança."



Bibliografia:

WINNICOT .D. W. O brincar e a realidade. Rio de Janeiro: Zahar, 1979.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

TEMPO



A importância de trabalhar a noção de tempo na escola é a de preparar o aluno para entender o tempo, como uma dimensão contínua, que passa sem cessar, além disso a criança passa a ver que o tempo abrange momentos(tempo físico) sobre o qual os homens inscrevem suas diferentes trajetórias, frutos de suas relações sociais (tempo histórico).
Um tópico muito interessante de ser lembrado é que a noção de tempo é a mais abstrata e de difícil compreensão para a criança.
Beatriz Aisenberg (1994, p. 138) nos diz:
" Os conhecimentos anteriores (as teorias, as noções já construídas) funcionam como marco assimilador, a partir do qual se outorgam significados aos novos objetos do conhecimento. Na medida em que se assimilam novos, significados, esse mesmo marco vai se modificando, se enriquecendo. É assim como passamos de um estado de menor conhecimento para outro de maior conhecimento".
Sendo assim, a partir da idéia desta autora, aproveitando o Projeto "Homenagen às Mães", realizei a atividade de linha do tempo com meus alunos ( 2º ano do ensino fundamental) pedindo inicialmente que realizassem uma pesquisa junto de seus familiares , referente a fatos marcantes que aconteceram em cada ano de suas próprias vidas através de preenchimento de uma ficha realizando desenhos ou escrevendo.
Após preenchidas as fichas de pesquisa, foram feitas observações e comparações referentes aos fatos registrados por cada um.
Em um outro momento , foi pedido aos alunos que trouxessem fotos deles com idades diferentes a atual (anteriores).
Observamos as fotos, conversamos em que momento e lugar elas foram registradas e após foi montado um painel com a colagem das fotos em ordem cronológica ,de acordo com a idade dos mesmos no momento da foto.
Para surpresa dos alunos, levei fotos minhas de quando era bebê e criança. Os alunos ficaram maravilhados ao perceberem que a professora também já foi criança um dia.
Com o desenvolvimento destas atividades relatadas, os alunos puderam perceber o que existe de comum e de diferente em relação a sua história e a de seus colegas, foram estimulados à capacidade de auto-observação, identificando marcas de mudança no seu corpo, que foram associadas com a noção de passagem do tempo. O desenvolvimento da sucessão de fases biológicas na vida de cada um auxilia no desenvolvimento da noção de tempo histórico.
A atividade de pesquisar fatos marcantes que ocorreram em suas vidas ajudou cada criança a reconstituir seu passado pela própria memória dela e de seus familiares e promoveu um encontro bastante afetivo entre as crianças que trocaram suas experiências e as socializaram.



Fontes de Pesquisa:

Estudos Sociais - Teoria e Prática , unidades III e IV. ACCESS
AISENBERG, Beatriz e ALDEROQUI,Silvia (comps). Buenos Aires:Paidos, 1994. Tradução:Maria Aparecida Bergamaschi

sábado, 1 de maio de 2010

O Jogo e a Aprendizagem




Trabalhando o projeto "O QUE VOU SER QUANDO CRESCER?", sobre profissões aproveitei para dialogar com os alunos sobre a exploração do trabalho infantil. Para este assunto tornar-se de fácil entendimento pelos alunos e ser abordado de uma maneira agradável proporcionei aos alunos uma atividade envolvendo um jogo de tabuleiro sobre o combate ao trabalho infantil promovido pela OIT e CENPEC . O nome do jogo é "Bem-Vindo à Escola" e consiste em proporcionar divertimento e ao mesmo tempo, reconhecer as características negativas do trabalho infantil e a importância do cumprimento do Estatuto da Criança e do Adolescente para por fim a essa exploração. O jogo contém um tabuleiro contendo 4 casas de partida,o caminho para a escola e a escola ao centro. Os alunos jogam o dado e avançam suas fichas observando as indicações das casas. Durante o jogo os alunos demonstraram muito envolvimento nas situações vivenciadas , tendo este fato dado um papel de destaque na aprendizagem dos mesmos.
"O jogo tem um fator mágico em sua relação com os alunos , que estão sempre dispostos a jogar e brincar. Este fator é talvez um dos mais importantes do jogo, é o que promove a motivação, gerando maior interação e participação envolvendo os alunos e o conhecimento, proporcionando uma aprendizagem de qualidade, adaptada a cada indivíduo, pelo processamento pessoal dessas atividades. No jogo as vivências acontecem de maneira coletiva e individual.
Ao acompanharmos pesquisas sobre o jogo, o brincar e o brinquedo no universo infantil, encontramos os fascinantes pensamentos de Piaget e Vygotsky. Na releitura desses autores, encontramos muitos fatores que aproximam um do outro. Na questão do jogo e do brinquedo, Piaget ilustra muito bem o seu caráter abrangente e imaginativo: "quando brinca, a criança assimila o mundo à sua maneira, sem compromisso com a realidade, pois sua interação com o objeto não dependendo da natureza do objeto, mas da função que a criança lhe atribui" (PIAGET, 1971,p.97).
Vygotsky, tem muitas contribuições que podem ser usadas na educação das crianças. Ele afirma por exemplo, que os fatores biológicos são predominantes sobre os sociais no início do desenvolvimento humano. E, pouco a pouco, a integração social torna-se fundamental para o desenvolvimento do pensamento.
Considerando sua teoria, podemos dizer que o jogo é um elemento essencialmente socializador e , consequentemente, algo muito importante para o desenvolvimento humano. Para Vygotsky, a criança é introduzida no mundo adulto pelo jogo e sua imaginação pode contribuir para expansão de suas habilidades conceituais.
Podemos notar que o jogo ajuda no desenvolvimento infantil e é um fator decisivo na aprendizagem de forma geral. Para adquirirmos maior interação envolvendo o professor e o aluno, fundamento para a conquista de objetos educacionais na Educação Escolar, devemos trabalhar com as atividades lúdicas e os jogos como algo importante para alcançarmos nossos objetivos de aprendizagem".

Bibliografia:
PIAGET.Epistemologia Genética. Lisboa:Dom Quixote, 1971.
HAETINGER, Jogos Recreação e Lazer.IESDE, 2008.

sábado, 24 de abril de 2010

Socialização



Piaget enfatiza a interação social como condição necessária para o desenvolvimento intelectual.Muitas pessoas acreditam que a teoria de Piaget enfatiza somente a maturação do sistema nervoso e a experiência com objetos concretos.No entanto, estes componentes, por essenciais que sejam, não são suficientes. As crianças precisam falar, discutir e disputar com outras crianças. O professor precisa cuidar que a interação social, enfatizando a linguagem, tenha um lugar proeminente no planejamento diário do ensino. Isto pode ser realizado através da inclusão de atividades como, trabalhos de grupo, discussões em grupo, resolução de problemas em grupo, atividades teatrais e etc.
As crianças que se encontram no estágio das operações concretas (estágio em que se encontram a maioria de meus alunos )estão crescendo quanto ao respeito que elas tem pelos outros e ao mesmo tempo cresce o desejo de estar com outras crianças, de ter atividades em grupo, de participar de jogos em grupo, de formar grupinhos, clubinhos, etc.
Um exemplo de atividade em grupo que realizei em uma de minhas aulas, dentro do projeto: "Pindorama, Brasil dos Índios", foi a construção de maquete sobre aldeias indígenas onde os alunos divididos em grupos entre 5 e 6 alunos tinham que montar uma maquete utilizando argila, papelão, papel crepom, ilustrações, folhas de árvores, pedrinhas, cola, tesoura, canetinhas, lápis de cor. Eles próprios tinham que se organizar e combinar como fariam a maquete. Para completarem o trabalho tiveram que trocar muitas idéias, respeitar opiniões, resolver conflitos e determinar posições. Como professora, fui intermediando, cooperando e auxiliando quando muito necessário ou solicitada. Após prontas as maquetes realizamos uma exposição das mesmas aos alunos do 1º ano, onde os grupos produtores das maquetes sentiram-se muito importantes e unidos na construção do trabalho, solidificando assim, o trabalho coletivo.
Bibliografia:
PIAGET ao alcance dos professores, C.M. Charles. California State University, San Diego.Tradução: Profª Igeborg Strake, AO Livro Técnico S/A- Rio de Janeiro-1979.